Mais de oito milhões de pessoas morrem todos os anos vítimas de doenças respiratórias, ocasionadas pela poluição atmosférica, segundo dados da Organização Mundial da Saúde OMS). Nesse sentido, muitas esferas da sociedade estão desenvolvendo estratégias e mecanismos alternativos para auxiliar na diminuição dos impactos ambientais causados pela poluição do ar, poluição da água e solo, desmatamento, consumo desenfreado e uso de bens naturais não-renováveis, como fontes de energia e combustíveis.

Atualmente, uma das alternativas efetivas que vem sendo usada para proteção do meio ambiente são os telhados verdes. Os telhados verdes funcionam basicamente através de uma camada de solo onde será plantada vegetação sobre uma cobertura.

Porém, essa técnica de utilizar vegetação na cobertura não é algo novo. “Os jardins suspensos da Babilônia, construídos em 600 ac é a cobertura verde mais antiga que se tem conhecimento. Os povos medievais utilizavam a cobertura de grama para aumentar o isolamento térmico de suas residências, técnica ainda muito utilizada na arquitetura ancestral de muitos países”, conta a professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo da IMED, Esp. Linessa Busato.

No Brasil, as coberturas verdes foram introduzidas com a arquitetura modernista por Oscar Niemeyer e equipe. Estão cada vez mais sendo utilizados hoje, no mundo inteiro, pela forma interessante e pelo apelo ecológico, mas vale salientar que existem outros parâmetros para que as edificações sejam consideradas mais sustentáveis e tenham menor impacto no meio ambiente, não somente a utilização ou não de coberturas verdes.

Construir uma cobertura verde tem maior custo que o telhado comum, exige manutenção, mas geralmente é uma escolha estética e também ambiental. A docente explica quais são os tipos mais utilizados e como funcionam seus mecanismos de instalação e manutenção. “Os extensivos têm uma camada de solo de até 20cm, não possuem irrigação, portanto devem ser utilizadas espécies gramíneas e rasteiras resistentes a períodos de estiagem. Já as coberturas verdes intensivas são realizadas com mais de 20cm de solo, possuem sistema de irrigação e por isso permite a instalação de maior diversidade de plantas. A instalação de jardins do tipo extensivo torna-se mais acessível devido à ausência de irrigação, baixa manutenção das espécies mais resistentes a estiagem, como por exemplo, as da família dos sedum, e também pelo menor peso por metro quadrado, o que permite até mesmo a instalação em coberturas já existentes. A complexidade de instalação vai depender do tipo de cobertura da edificação”, destaca Linessa.

As coberturas verdes podem ser utilizadas sobre lajes ou instaladas em telhados já existentes. Importante destacar que, quem deseja implantar um sistema de cobertura verde em sua residência, independente do modelo escolhido, deve obter orientação técnica para projeção do sistema de impermeabilização, drenagem, que faça a previsão de peso da cobertura verde sobre o telhado que será construído ou existente, que acompanhe a execução e indique o tipo de vegetação para cada tipo de telhado.

Linessa ainda destaca que muitos estudos demonstram cientificamente que a cobertura verde pode melhorar os aspectos ambientais no meio urbano, e por isso devem ser incentivados. “O telhado verde pode contribuir para que a edificação receba menos calor do sol pela cobertura, pois é um ótimo isolante térmico, desta maneira é capaz de reduzir consumo de energia com ar-condicionado. Um exemplo é o shopping Eldorado, zona oeste de São Paulo, onde foi instalada uma horta na cobertura do edifício que utiliza adubo produzido com os resíduos orgânicos descartados da praça de alimentação, a água descartada do sistema de ar-condicionado para irrigação, gerando assim alimento e reduzindo a temperatura interna do edifício e os custos com energia elétrica necessária para resfriamento. Além disso, atualmente as prefeituras de São Paulo e Curitiba têm projetos de lei em tramitação para incentivar edificações a utilizarem a cobertura verde, entendendo que o uso destes telhados em grande escala pode melhorar a drenagem urbana, reduzir ilhas de calor, melhorar a paisagem da cidade e reduzir o consumo de energia com ar-condicionado”, finaliza.

Em Passo Fundo, a primeira construção a contar com a iniciativa de cobertura verde é o Edifício Abu Dhabi, localizado na área central da cidade e que conta com um jardim suspenso.

Linessa Busato